Prefeito de Mauá foi alertado sobre rombo de R$ 1,9 mi ‎

O prefeito guia de Mauá, Oswaldo Dias (PT), revelou que foi alertado durante a campanha eleitoral de 2008 sobre o esquema fraudulento que ocorria na dívida ativa do governo Leonel Damo (PMDB – 2005 a 2008). As irregularidades, confirmadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, acarretaram no desaparecimento de R$ 755 mil do sistema. Somadas as desapropriações ilegais, o rombo (detalhado domingo pelo Diário) atingiu R$ 1,9 milhão.

“Não me lembro onde foi, mas, mais de uma vez, uma pessoa chegou para mim e falou: ‘Cuidado que eles (governo Damo) estão limpando os arquivos do IPTU’. Não dei importância porque eu não tinha essa criatividade. Não imaginava como é que se limpa arquivo de IPTU”, relatou o petista, após a assinatura de termo de adesão à segunda edição do Programa Minha Casa, Minha Vida. (leia mais na capa do caderno Setecidades).

Quando reassumiu o comando do Executivo, em 2009, Oswaldo contratou a Fundação Getulio Vargas para levantar as ações fiscais da administração anterior. O relatório foi encaminhado à Polícia e ao MP.

O prefeito, contudo, disse “não se lembrar” sobre quem denunciou a fraude durante suas caminhadas por Mauá em busca de votos. “Foram palavras ditas ao pé do ouvido, não marquei ninguém. Só lembro do assunto”, esquivou-se, ao dar pista sobre a pessoa. “Certamente não era um eleitor comum. Era alguém que tinha acesso aqui (na Prefeitura), mas não sei se era funcionário.” O chefe do Executivo disse que está à disposição para colaborar com as investigações.

RESPONSABILIDADE

Oswaldo Dias foi cauteloso ao comentar a eventual participação de Leonel Damo, seu adversário histórico, no caso. Questionado sobre qual é a parcela de responsabilidade do antecessor na fraude na dívida ativa da cidade, disse que o peemedebista tem de ser responsabilizado pela “nomeação dos subordinados (que propiciaram o rombo), mas não pelos atos (cometidos por funcionários)”.



A ‘herança maldita’ de restos a pagar (de R$ 234 milhões) deixada pelo governo Damo, juntadas às irregularidades expostas nesta semana pelo Diário, fez Oswaldo afirmar que “não é necessário muito esforço para concluir o desastre que foi a administração passada”. “Acho que não foi isso, mas poderia dizer que esse caos foi programado para o próximo governo (o atual) não dar certo.”

Adversários têm retrospecto em comum

Se o sumiço de lançamentos do sistema de dívida ativa e as desapropriações irregulares em Mauá, em 2008, são o rastro de ações ilícitas no governo Leonel Damo, o PT e as administrações Oswaldo Dias carregam o fardo do caso Valdirene Dardin, secretária de Finanças entre 2001 e 2004, período do segundo mandato do petista no comando do Paço.

Valdirene foi condenada em primeira e segunda instâncias por peculato (apropriação indevida de dinheiro público). Entre 2003 e 2004, a então secretária sacou R$ 230 mil das contas municipais. Pelo ato, passou 95 dias na prisão. Ela responde em liberdade ao julgamento do Supremo Tribunal Federal.

As semelhanças entre os dois governos ficam claras em suas composições. Vice-prefeita de Damo, Leni Walendy ignorou vínculo com o PSDB e foi nomeada coordenadora especial de projetos para a Educação em julho de 2009.

Sobrinho de Damo, Antonio Carlos de Lima (PP) foi secretário de Governo durante o segundo mandato do tio no Executivo. Em 2009, sob direção de Oswaldo, ele foi mantido no primeiro escalão, como titular da Secretaria de Administração, Pasta que deixou em agosto.

Chico do Judô (PSB) foi secretário de Esportes no governo Damo. Em abril de 2010, foi declarado ouvidor do município. O presidente do partido, Carlos Thomaz, ex-superintendente do Saneamento Básico de Mauá, é o atual secretário de Segurança Pública.

Fonte: Diário do Grande ABC





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